domingo, 13 de junho de 2010

Keep walking

A vida era o que era; conformara-se.

Sonhos demais, expectativas demais, apenas culminavam em decepções demais. Se é mesmo a esperança a última que morre, então tudo nele já havia morrido, porque ela já não estava mais ali.

Sentado em uma cadeira qualquer, em uma varanda qualquer, com um violão qualquer entre os braços e um cigarro qualquer na boca, ele sabia-se um homem qualquer. Buscava um tempo em que fora feliz. Achava-o. Logo em seguida lhe surgia em mente a decepção que seguia um pequeno momento feliz.
A Felicidade não estava destinada a aparecer em sua vida. Aparecia em raros momentos porque, cansada de fugir dele, parava para descansar em qualquer canto, e ele a agarrava com toda a força que só é possível no desespero. Logo ela escapava, pois, ainda que ele pudesse, fugindo da Dor, agarrar a Felicidade, o Destino logo aparecia e o obrigava-o a soltá-la, atirando-lhe flechas envenenadas de realidade. Prometia ao Destino que aquela vez fora a última, e que aceitaria seu fardo, mas essa promessa nunca cumpria. O Destino o castigava menos enquanto ele o seguia, mas para ele pouco castigo era pouco. Ele queria ser livre, sonho demais para um escravo do Destino.

Ignoto, não achava outro alguém de sua espécie, mas sabia que não era igual a todos os outros que lhe cercavam. As velhas drogas já não lhe serviam mais, e as novas não apresentavam efeito desejado.

Sempre só, e a vida ia seguindo assim. Não tinha motivo algum para seguir em frente, apenas seguia. Keep walking.

4 Comments:

  1. Amanda Arrais said...
    Keep walking.

    One step at time. ;)
    Celamar Maione said...
    Não há outro jeito. Sempre seguindo. Parece que só nos resta o tédio.
    Felicidade ?
    O que é isso ?

    bj
    Nina Vieira said...
    E o coração dependente, viciado em amar errado...
    Daniela Filipini said...
    Nem tudo está em nossos planos, mas temos que aprender a lidar com tudo.

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