terça-feira, 3 de dezembro de 2013

mais vagas, menos árvores.
O que era pra ontem vai ficando pra amanhã.
A vida passa,
Não em acontecimentos,
Mas em minutos.
Se, em algum momento,
A arte imitou a vida,
Encontrem essa arte,
Precisamos imitá-la.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A cada boa tragada de ar que perpassa e preenche o vazio do seu corpo, você está a um passo mais longe da imortalidade. O ar é a nossa droga fundamental. Respirar é o vício fundamental. A morte é fundamental.
Respire, não prolongue sua vida. Melhor, respire e prolongue sua vida.
Não se vive o tempo, se vive a vida. A vida não é o tempo que se vive, a vida é o que se vive. Então, porque se importar com o tempo?



Vladimir abriu os olhos esperando que aquele fosse o último dia de sua vida, mas não se apressou por isso. Porque viver com pressa? Porque morrer com pressa? Sentou em sua velha cadeira e escreveu algumas ideias, que couberam em poucas páginas, de sua obra em progresso. Pensava em Vanessa, em como começaram e em como terminaram. Vanessa era um magnífico girassol e ele um beija-flor à procura do néctar perfeito, assim os via. Mas ela era atordoada por um zangão que por ela era apaixonado, Tadeu. Ele era uma sombra sempre presente, circundando-a, impedindo que qualquer um chegasse perto do Girassol. O Girassol acreditava amar, acreditava saber o que era o amor e acreditava o ter pelo zangão. Mas como saber se ama alguém se há milhares de pessoas no mundo que se poderia conhecer e amar milhões de vezes mais? Vlad era um beija-flor especial como outro qualquer, nascera com a certeza de que havia a flor perfeita para você. Esperaria pelo néctar daquele Girassol por toda sua vida, mas todo o tempo de sua vida poderia não ser o suficiente. Ficaria a sua espera para sempre, mas de que adiantaria ser para sempre se jamais pudesse ser completo? Arriscou. Por um breve instante, entendeu sua razão de existir. Logo após experimentar o néctar mais precioso de sua vida, morreu, com um ferrão cravado em seu coração. Morreu Vlad, que vivera com sua flor muito, por muito pouco tempo, morreu Tadeu, que viveu sua pouca vida diluída em um tempo muito grande. E o girassol lá ficou, a espera do beija-flor que trouxe seu amor.



Morremos porque, em um dado momento, nossas células não se replicam mais. Talvez porque, nesse dado momento, nem as células vejam mais o sentido em serem iguais indefinidamente.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Nossa arte

O que é inteiro
Não precisa estar junto
Para fazer parte

O todo, dividido,
Ainda é metade
E o meio, reunido,
É unidade

Se o espaço
Que nos divide
É só saudade,
A vontade de ficar junto
É a nossa arte





Acho que não combina comigo essa arte da poesia, nela é muito tênue a linha entre o gênio e o amador, o maravilhoso e o ridículo. Mas quem seria eu se desistisse por isso?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Are we alive?

"Se optar pelo prazer do conhecimento, prepare-se para sofrer. Se não quiseres o sofrimento, junte-se à massa." Friedrich Nietzsche

Passamos muito tempo procurando a resposta para a pergunta sobre a vida, o universo e todas as coisas, até encontramos, paradoxalmente, a resposta para a pergunta -- que não necessariamente a responde como esperávamos --, que é: jamais a encontraremos.

Explico, a resposta para uma pergunta não é aquilo que encerra a dúvida nela contida, mas o que a dá o sentido de existir, a complementa e explica. Não desista de ler ainda! Terá valido a pena quando você entender. Um exemplo simplista: Qual a cor do vento? O vento não tem cor. Veja, a resposta não cessa a dúvida da pergunta, pois não diz a cor do vento, mas a ela dá um sentido.

Nascemos, crescemos, procriamos e morremos.
A função das formigas-soldado é proteger a colônia. Mas se não o puderem fazer, deixam de ter um porque de existir? A função do fotógrafo é fotografar, mas e se não? Eis o perigo dos rótulos, da ignorância e das respostas simples para as perguntas complexas.

Assim vivemos, trabalhando em empregos que não gostamos para comprar o que não precisamos e nos tornar quem jamais quisemos ser. Assim vivendo, não estamos vivos, somos zumbis com fome, em busca de algo para saciar essa dor de não saber o que queremos. Estamos meio vivos e nos alimentamos de qualquer coisa que nos dê a sensação de estarmos vivos. Não matamos nossa fome, dormimos para esquecer.

Por fim, um lembrete:
"Aviso: Se você está lendo isso, então isto é para você. Cada segundo perdido lendo este texto inútil é outro segundo a menos da sua vida. Você não tem outras coisas para fazer? A sua vida é tão vazia que você honestamente não consegue pensar numa maneira melhor de vive-la? Ou você fica tão impressionado com a autoridade daqueles que a exercem sobre você? Você lê tudo o que deveria ler? Você pensa tudo o que deveria pensar? Compra tudo o que lhe dizem pra comprar? Saia do seu apartamento. Encontre alguem do sexo oposto. Pare de comprar tanto e se masturbar tanto. Peça demissão. Comece a brigar. Prove que está vivo. Se você não fizer valer pelo seu lado humano você se tornará apenas mais um numero. Você foi avisado."