quarta-feira, 3 de dezembro de 2008


Prefácio
A psique de Francis
"Chamam de crise da meia-idade...", ele não duvidava que ela viesse, um dia, mas só agora sabia porque a chamam de "crise". Em meio a crise, Francis analisava sua própia vida, fazia um balanço entre o que sonhara e o que, até ali, havia conseguido. 
Ele conseguia, ainda, lembrar do garoto que foi, rotulava a si mesmo como excêntrico, não era como queria ser, na época, mas era, sem dúvida, melhor do que o que o rotulavam os caras e as meninas da sua idade. Lembrava-se também do seu tempo de juventude, não era mais um garoto idiota. Aos 16, tinha ficado com umas três meninas, o que salvou sua alto-estima, em parte, para completar, contava com a pretenção, iludia-se. Queria perder a virgendade, não conseguia com as garotas do colégio, as feias só iriam quebrar sua ilusão e destruir sua alto-estima/pretenção. Aos 20, cansou de esperar/procurar e foi a um bordel.
Sua vida era assim, cheia de frustrações... Seus planos nunca foram lá essas coisas, queria muito, é verdade, mas contentava-se com pouco, não com migalhas!
Agora, aos 42, tinha um poder econômico razoavel, um emprego, também razoavel, e uma família: uma mulher, que lutava todos os dias para convencer-se que ainda amava, e uma filha, que criava a "rédea curta". Francis gostava de mostrar que era ele quem estava no comando sempre que podia, para suprir tal necessidade, pois, durante quase toda sua vida, não era isso que acontecia.
Fim do Prefácio

Por causa da chuva, chegou tarde ao trabalho. Mas não importava, gostava da chuva, fazia com que o mundo não parecesse tão efêmero, e a efêmeridade do mundo o fazia sentir "ficando pra trás".
Não se pode dizer que ser professor era uma coisa que Francis gostasse, mas, também, não desgostava. Em seu trabalho, também encontrava um desejo contido. Aquelas mulheres, que não eram mais que meninas, mas já possuiam todo jeito sedutor/feminino de ser. Além disso, tinham o que o tocava mais sutil e profundamente: a juventude, aquilo que, sempre, fazia-o pensar no tempo perdido: a juventude, e aquela graciosidade que ela as propiciava...
Esse ano, uma garota, em especial, o chamara a atenção. Não porque era mais bonita ou volúptuosa, ou porque tivesse algum outro atributo destacante, Raquel chamava-o a atenção porque ele percebia que ela buscava chamar-lhe a atenção, era quase que insinuante. Poderia ser pura impressão, delírio, sem dúvida, mas também poderia estar certo...Tinha que ser cauteloso.

Francis não era lá um ser desumano e egocêntrico por completo, até era, inegavelmente, mas ainda havia, em si, algo daquele garoto romântico e puro de muitos e muitos anos atrás. E era esse algo restante que o fazia pensar em sua mulher, em sua filha... "Como seria se alguém como eu se envolvesse com minha filha?" ou "E se minha mulher se envolvesse com um garoto da idade dela?!", ele era inteligente, calculista, esses pensamentos não poderiam ter deixado de passar em sua mente. No entanto, sua vida mediocre o consumia cada dia mais, sentia-se perdendo toda vida, precisava de algo novo, alguém novo.

Chegava tarde em casa, sua mulher assistindo o jornal...Não entendia como alguém poderia se degradar tanto. Marília que, um dia, fora linda, tornou-se só mais uma dona de casa que gostava estava, quase sempre, assitindo televisão ou praticando outras futilidades, que tinha rugas e olheiras, mal gosto para lingeries e usava uma meia para dormir que... Aquilo, definitivamente, tinha se tornado insuportável, até mesmo para alguém como Francis.

Estava decidido, se Raquel estivesse mesmo interessada nele, não perderia a oportunidade.

No dia seguinte, pôs-se a observar toda e qualquer atitude da garota, buscava conhecê-la melhor.
Raquel era como uma criança que acaba de se tornar adolescente, como num passe de mágica, e abomina a infância recém-findada, ou talvez, melhor, era como uma garota, dessas de oito ou nove anos, que, mesmo ainda criança, usa os saltos e cosméticos da mãe, sentia-se adolescente e buscava provar que assim era. Gostava do proibido, do libidinoso, da vertigem. 
Ele observava, também, se ela realmente se insinuava para ele. Raquel o fez, com toda malícia que gostava de acreditar que tinha. Ele, sem perder tempo, retribui e fez o que lhe cabia para seduzir-lhe.

Daí, tudo aconteceu como o esperado: Conversavam, sempre que podiam, e as conversam iam ganhando uma intimidade incomum que, não os incriminava, mas, os dois sabiam, era bom que ninguém notasse. Eram, portanto, cúmplices.
E, depois, a intimidade tornou-se mais que conversas. Encontraram-se, fora dali, o que os tornava mais que intimos como aluna e professor. Ela ferida emocinalmente, por motivos outros, ele, o ombro amigo, ela desejosa, ele também. Ele não perdeu muito tempo, sabia o que queria. Foi destemido, até, levou-a a lugares públicos, não longe de casa.

Contudo, ela ainda era garota em alguns pontos, e um, sobretudo, irritava Francis, tremendamente: no quesito sexual que um homem pode esperar de uma mulher. Ela não era tão nova assim, ela o provocou, ele só havia cedido, tudo era culpa dela, e, agora, se negava a satisfazer-lhe, era inaceitável...

Francis a levou a um lugar reservado, onde pudesse entregar-se libidinagem que poria alguma emoção em sua vida ordinária. Ela foi firme... "Até certo ponto, e ponto.".

Depois do ocorrido, Francis decidiu trata-la com frieza. Além de desejar trata-la assim, o fez como uma tática, ela poderia ceder a seu desejo, por medo de o perder. E era o que teria ocorrido, se não fosse o que ocorreu em seguida...

P.S.:
1. Não quero que você fique fera comigo, quero ser seu amor, quero ser seu amigo, meu bem.

0 Comments:

Post a Comment