terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Em um mundo perfeito,

eu seria o Deus da Contradição e ocuparia meu trono no décimo andar da minha torre subterrânea, no Condomínio dos Deuses Nº J e, embora reinasse absolutamente só, reinaria juntamente a mim a Deusa da Contradição.

Ao anoitecer, logo que o sol raiasse, dançaríamos Perfídia na cozinha enquanto preparássemos o café que já estivera pronto desde sempre e, enquanto o tomássemos, discutiríamos sobre o porque de se dançar algo tão ridículo como o mambo, então o mambo dançaríamos novamente enquanto lavássemos a louça que nunca estivera suja.

Deitados no pequeno sofá que nos acomodava e nele ainda sobrava espaço, nós gargalharíamos assistindo Two and a Half Men e logo depois discutiríamos sobre a ridicularidade de Kafka.

E, enfim, eu seria tomado por certezas inequívocas e assim também seria ela, enquanto decidíssemos parar de fumar em uma manhã chuvosa, enquanto fumássemos e tomássemos café.

Mas, sendo eu o Deus da Contradição, o perfeito é o imperfeito e imperfeita é a realidade. Imperfeita é minha vida, e ela não vai de um todo mal. Só afirmo o por enquanto e, por enquanto, até que tô começando a gostar de quem sou.

6 Comments:

  1. Celamar Maione said...
    Gostei do seu texto.
    Bom começo....

    Beijão
    Nina Vieira said...
    Prazer, Atena. Palas Atena.
    Insolente said...
    Hum, ser deus assim até que vale a pena, não?
    Daniela Filipini said...
    Se não gostarmos, quem gostará?
    Obrigado pela visita.
    Amanda Arrais said...
    "Mas, sendo eu o Deus da Contradição, o perfeito é o imperfeito e imperfeita é a realidade."

    10 aplausos pra essas palavras.

    =*
    Clara said...
    aplausos...
    do que serve-nos as palavras, se com elas não podemos debochar da realidade?
    volto

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