segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O mais esquisito nela...

era que não era tão esquisita assim.

Era ela tudo que eu acreditava esquisito. Não era ela tão esquisita para todos, pois sempre foi a minha idéia de esquisitez notoriamente distorcida -- tanto que não percebi por mim mesmo, tiveram que me avisar, e o fizeram muitas vezes, já que achava que esquisitos são os outros.

Desse modo conclui que para o mundo ela se passava por normal. Se vestia de maneira diferente, mas ainda era normal; se comportava de maneira diferente, mas ainda era normal. Desde o jeito de andar ao sorriso ela era diferente, mas, para o mundo, era ela completamente normal.

Como as pessoas não notavam uma pessoa assim tão diferente entre elas? Era ela especial... Será o mundo assim tão indiferente às sutilezas da individualidade?

Cogitei a possibilidade de estar apaixonado, idéia que, a principio, me pareceu absurda. Não era um pensamento tão absurdo, pois sempre cri que em todo indivíduo há algo apaixonante. Sabia que tentando me provar desapaixonado, minha mente me enganaria. Se tentasse convencer-me que não estava em amores só me daria motivos para pensar que, deveras, estava.

Não consegui sair dessa armadilha. Ao menos não por mim mesmo. Semana seguinte me peguei pensando em outro alguém e, de repente, lembrei dela. Ainda havia a possibilidade de eu ser muito volúvel e já haver mudado a fantasia da minha mente. Mas, aí, não seria eu.

Não foram poucas as horas que passei tentando resolver a questão. Até tentei desistir-- coisa que, para minha vergonha, tenho feito cada vez mais --, mas não pude. Não pude porque ela não saia da minha cabeça.

Foram noites e noites até que, enfim, encontrei uma resposta que atendesse a todas equações que criei para cercar o problema. Espero que, com isso, você poupe algumas de suas noites de sono, se coisa semelhante vier a ocorrer-te.

Ela era, em si, tudo que amava e rejeitava, ao mesmo tempo. Amável, ao mesmo tempo que rude; pudica e simultaneamente imoral. Era, também, uma união de extremos, bem como sou eu.
Era diferente e ao mesmo tempo parecida comigo. Era meu ID, meu Alter Ego... Era, ela, meu espelho.

Um comentário:

sobrefatalismos disse...

Prazer. Mim, pessoa esquisita, tu escritor adorável.