sexta-feira, 24 de junho de 2011

Across the Universe

Naquele dia, na praia, o mar era tudo o que via, mas ele vislumbrava muito mais, ele via alguma coisa no jeito que ela sorria... Ela falava sobre fazer uma revolução, ele achava graça e não levava à sério, achava que nada iria mudar seu mundo
Antes de tudo, ele deveria ter-lhe dito "Se eu cair em amores por você, você promete não me ferir como ela? Porque eu não posso suportar a dor e eu ficarei triste, se souber que meu amor foi em vão...", mas não são de discursos prontos que nascem os amores.
Coisa estranha era ter um casal na praia de madrugada olhando o mar sem que fossem namorados, mas eram mesmo um casal bem diferente; "O sol já tá nascendo!", dizia ela, querendo dizer que eles haviam passado muito tempo naquele programa de loucos e que talvez fossem melhor voltar para suas casas, "Tá tudo bem", dizia ele, querendo dizer "feche seus olhos, eu vou te beijar". Tudo que ele precisava fazer era sussurar em seu ouvido as palavras que ela queria ouvir e a estaria beijando, e ela diria "eu te amo, porque você me diz as coisas que eu gosto de ouvir", mas ele não o fez.
Talvez pelo cansaço , talvez por um ciúme juvenil, talvez até porque ele era simplesmente um perdedor e não era o que parecia ser, não disse o que realmente queria dizer, mas tudo que não queria e que teria desaparecido se eles somente tivessem se despedido ali. Não se despediram, ele disse uma palavra ou duas sobre as coisas que ela fazia e que ele julgava erradas, enquanto algo lhe dizia "você irá perder essa garota, se não a tratar bem, a verá partir", algo que estava certo. Porque ela foi embora daquele jeito ele não sabia, mas ele sabia que havia dito algo errado e, então, passou a pertencer ao passado.
Tempos depois, arrependido, ele queria dizer-lhe alguma coisa e, quando a dissesse, queria segurar sua mão, mas não podia mais. Não adiantou ele tentar dizer, depois, "porque eu sou tão criança quando estou a seu lado? É porque eu te amo. Te amo como nenhum outro, como nenhum outro pode, eu quero ser seu amante, eu quero ser seu homem. Ah, meu bem, acredite, eu nunca vou te machucar.", mas já era tarde demais, ela já não se importava em ouvir. Bem que queria voltar atrás, tornara-se um pássaro negro com as asas quebradas, mas não podia. Tudo que podia, e conseguia, era se virar com alguma ajuda de seus amigos.
Demorou, mas ele passou a entender o que ela lhe dizia e ele menosprezava, ela só queria dizer que não há nada que ele pudesse fazer que não se pudesse ser feito, “não há nada que você possa dizer, mas eu posso te ensinar como jogar o jogo, nada que você possa fazer, mas você pode aprender a ser você, é fácil”.
Depois de tudo, parece que ele finalmente aprendeu, parou de implorar para que os outros não o deixassem cair, pegou sua história triste e começou a fazê-la melhorar.

7 comentários:

Noe* disse...

Seria tão bom se soubéssemos de antemão quem vai nos ferir, quais sentimentos as pessoas vão nos causar não é?
Mas a isso não poderíamos dar o nome de VIDA.
O IMPORTANTE, o essencial é sempre dizermos o que a gente sente... por meio de gestos ou palavras, não importa... Basta que seja dito!
Gostei do texto!
Bjs =*

sobrefatalismos disse...

Meu amigo,
eu não gosto de café. Mas se nessa cafeteria tiver sorvete e ficar dentro de uma livraria, aceito sim.
Obrigada por todo o carinho. Mesmo.

Daniela Filipini disse...

"Eu te amo porque você me diz as coisas que eu gosto de ouvir."

Lindo.

Seu texto me lembrou um texto da Martha Medeiros, chama-se "Sumi" e é maravilhoso...

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Não existem segundas oportunidades, exceto pelo perdão.


Neste caso, de si mesmo.


Estranho. Li este texto e tive a impressão de ser ele, "aquele de quem não falamos, dialogando comigo.

sobrefatalismos disse...

Estou todos os sábados no shopping Barra. Você poderá me encontrar sempre ao meio-dia.
Vamos até a Saraiva, lá tem sorvete.
Você vive aqui em SalvadorCity?

sobrefatalismos disse...

Te achei no orkut. Mandei recado.

cecília disse...

oi